IF YOU TELL HIM EVERYTHING HOW CAN YOU SUFFER?
É inspirado nas criadas da minha infância em Portugal e em referências como: “les Demoiselles d'Avignon” de Pablo Picasso; “The Invisible Ator” de Lorna Marshall e Yoshi Oida; “A woman under the influence” de Jonh Cassavetes com Gena Rowlands.
É uma peça a solo que explora uma variedade de paisagens emocionais e físicas.
A obra aborda o significado simbólico da mulher, referindo-se aos seus clichés e pressupostos imediatos.
Como vivemos, como somos, do que somos capazes é bastante rápido e ao mesmo tempo simples, e nesse sentido emocional.
É importante que uma obra não faça sentido, ou seja, que não faça sentido do mundo, das coisas pela lógica ou pela razão, ao mesmo tempo que o sentido é muito importante em termos de emoções, de afectos.
Ficamos afectados, quando conseguimos reconhecer uma emoção, um sentimento.
Esta peça é uma combinação de escultura e performance. Começa com uma fisicalidade surrealista, uma mulher a brincar com um objeto doméstico, um aspirador chamado Henry. E acaba por revelar uma personagem.
Era importante para mim dar uma imagem reconhecida e ao mesmo tempo estranha, como se houvesse algo de estranho nela.
A obra não está completa até ter um público que a veja, que a percepcione. E mesmo assim não pára de crescer. De cada vez que é apresentada, o bailarino, neste caso eu, acumula experiências e uma história, acrescentando cada vez uma camada à obra.
Posso trabalhar e fazer esta peça o maior número de vezes possível, porque nunca estará terminada, pois é sempre possível ver algo diferente. Posso tentar fazer sempre o mesmo, mas vou sempre experimentar algo diferente. Por isso, é interessante não reproduzir, mas passar pela experiência que a coreografia tem para oferecer.